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A enciclopédia dos
eletroeletrônicos

Vol. 05Energia e elétrica

Quantas placas solares de 550 W preciso para a minha conta?

O número de placas depende do consumo em kWh, do sol da cidade e do mínimo cobrado em cada tipo de ligação.

Autoria
Eletropédia
Publicado
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7 min
Placa solar azul vista de perto sob o céu

O erro mais comum na hora de estimar quantas placas comprar é dividir o valor da conta por um número mágico que alguém citou num grupo de WhatsApp. “Cada placa abate uns R$ 80”, “uma placa para cada R$ 100 de conta”. Essas regras funcionam por acaso em algumas cidades e erram feio em outras, porque ignoram três coisas: o sol do lugar, a tarifa da distribuidora e o mínimo que a conta cobra de qualquer jeito.

A boa notícia é que a conta certa não é complicada. Com o consumo em kWh, a geração média da sua cidade e a potência da placa, dá para chegar a um número honesto em cinco minutos.

A fórmula cabe num guardanapo

O raciocínio tem quatro passos:

  1. Pegue o consumo médio em kWh no histórico de 12 meses impresso na fatura. Se só tiver o valor em reais, divida pela tarifa com impostos.
  2. Tire o mínimo da ligação: 30 kWh na monofásica, 50 na bifásica, 100 na trifásica. Essa parte você paga mesmo com sistema.
  3. Calcule quanto uma placa gera por mês na sua cidade: potência em kW vezes a geração diária por kWp vezes 30. Com 550 W e 4,4 kWh por kWp por dia, uma placa produz perto de 74 kWh por mês.
  4. Divida o consumo restante pela geração de uma placa e arredonde para cima.

Regra de bolso: na maior parte do Brasil, cada placa de 550 W gera algo entre 65 e 85 kWh por mês. Divida o seu consumo acima do mínimo por 74 e você terá uma primeira ideia.

A geração diária por kWp muda de cidade para cidade e de mês para mês. O Global Solar Atlas, do Banco Mundial, mostra esse valor para qualquer ponto do mapa, já descontadas as perdas típicas do sistema. Para não depender de média nacional, vale calcular quantas placas solares preciso com o dado de sol do próprio município.

Por que tantos orçamentos usam placa de 550 W

Módulos na faixa de 540 W a 585 W se tornaram comuns em instalações residenciais porque entregam muita potência por metro quadrado sem ficarem grandes demais para um telhado de casa. Cada um mede por volta de 2,3 m por 1,1 m e ocupa cerca de 2,5 m² já contando o espaçamento.

Instalador fixando uma placa solar em um telhado
Placas de maior potência reduzem o número de módulos e de pontos de fixação no telhado. Foto: Bill Mead / Unsplash

Placas de potência menor ainda existem e fazem sentido em telhados recortados, onde um módulo grande não cabe. Nesse caso, a conta é a mesma, só muda a potência no passo 3. Uma placa de 450 W, por exemplo, gera cerca de 18% menos que uma de 550 W no mesmo lugar.

O dimensionamento do sistema solar feito pelo enelim também parte de placas de 550 W, em número suficiente para gerar no ano o consumo que passa do mínimo da ligação.

Dois moradores, 200 kWh por mês

Um casal num apartamento com ligação monofásica, sem chuveiro elétrico ligado o tempo todo. Consumo de 200 kWh, mínimo de 30 kWh: sobram 170 kWh para cobrir. Dividindo por 74, o resultado é 2,3. Arredondando, 3 placas, ou 1,65 kWp.

Aqui aparece o primeiro limite prático: sistemas muito pequenos custam proporcionalmente mais, porque projeto, homologação e mão de obra têm custo fixo. Em apartamento, há ainda a questão do espaço, que costuma depender de autorização do condomínio para a laje ou de modelos de geração remota.

Família com chuveiro elétrico, 400 kWh

Casa de quatro pessoas, ligação bifásica, chuveiro elétrico e geladeira duplex. Do consumo de 400 kWh saem 50 kWh de mínimo; os 350 restantes divididos por 74 dão 4,7. São 5 placas, 2,75 kWp, ocupando uns 13 m² de telhado.

É o perfil em que o inverno mais pesa. O chuveiro trabalha mais justamente quando o sol rende menos. Se o histórico de consumo mostra picos em junho e julho, olhe a média de 12 meses, e não o mês de verão, para não subdimensionar.

Ar-condicionado no verão, 700 kWh

Em Campinas, um imóvel que paga R$ 700 por mês com ligação bifásica consome por volta de 719 kWh por mês. Pela simulação do enelim para essa cidade, a casa precisa de 9 placas de 550 W, 4,95 kWp e cerca de 23 m² de telhado voltado para o norte. A conta, que era de R$ 700, cai para algo perto de R$ 120.

Capacete branco de obra apoiado sobre uma placa solar
Sistemas de médio porte já pedem atenção ao inversor e ao padrão de entrada da casa. Foto: Evgeniy Alyoshin / Unsplash

Nesse tamanho, o inversor ganha importância. Ele precisa ter potência compatível com as placas e com o tipo de ligação. O texto sobre o trio inversor, bateria e nobreak ajuda a entender o papel de cada equipamento, inclusive o que acontece numa queda de energia.

Pequeno comércio trifásico, 1.500 kWh

Uma padaria, uma oficina ou uma clínica pequena com ligação trifásica. Consumo de 1.500 kWh menos 100 de mínimo: 1.400 kWh. Divididos por 74, dão 18,9. São 19 placas, 10,45 kWp, quase 50 m² de cobertura.

Comércios têm uma vantagem: consomem muito durante o dia, exatamente quando as placas produzem. Essa energia usada na hora não paga a parcela do Fio B prevista na Lei 14.300, o que melhora a economia em relação a uma casa com o mesmo sistema.

PerfilConsumoMínimoPlacas de 550 WPotênciaTelhado aproximado
Casal, monofásica200 kWh30 kWh31,65 kWp8 m²
Família, bifásica400 kWh50 kWh52,75 kWp13 m²
Casa com ar, bifásica719 kWh50 kWh94,95 kWp23 m²
Comércio, trifásica1.500 kWh100 kWh1910,45 kWp48 m²

A tabela supõe 4,4 kWh por kWp por dia e telhado sem sombra. A potência do sistema em kWp muda conforme a cidade: no sertão nordestino a mesma casa precisaria de menos placas, no litoral catarinense de mais.

O telhado tem que caber na conta

Antes de fechar o número, meça o telhado. Cada placa de 550 W pede cerca de 2,5 m², e nem toda a área serve: beirais, caixas d’água, chaminés e trechos sombreados ficam de fora. Telhados voltados para o sul perdem bastante geração no Brasil e costumam ser descartados.

  • Some só as águas voltadas para norte, leste e oeste.
  • Desconte uns 30 cm de cada borda para fixação e manutenção.
  • Observe a sombra das 9h às 16h, em um dia de inverno, quando o sol fica mais baixo.

Uma calculadora de placas solares que mostra também a área de telhado para as placas evita a surpresa de descobrir, na visita técnica, que o sistema ideal não cabe. No resultado do enelim aparecem lado a lado o número de placas, os kWp e os metros quadrados ocupados.

Se o seu telhado comporta o número de placas da conta e não tem sombra relevante, o próximo passo é pedir orçamentos com essa potência como referência. Se não comporta, a saída costuma ser aceitar um sistema menor que cubra parte da conta, ou estudar outro local do terreno. E se o consumo vai crescer em breve, com ar-condicionado novo ou carro elétrico, dimensione já pensando nele, porque ampliar depois exige novo projeto. Para refazer as contas com dados da sua cidade, o enelim faz o cálculo a partir da fatura em poucos passos.

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