Três classes, e não mais sete: desde 1º de janeiro de 2026, a etiqueta do Inmetro para geladeiras, refrigeradores e freezers vai só de A a C. Na Black Friday de 27 de novembro de 2026, porém, o consumidor ainda deve encontrar nas lojas aparelhos com a etiqueta antiga, porque o varejo tem até 31 de dezembro para vender o estoque fabricado até o fim de 2025.
A mudança faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem e trouxe um método de teste novo, baseado nas normas internacionais IEC 62552-2 e 62552-3, segundo a certificadora BRICS Certificações. O resultado é que duas geladeiras lado a lado na loja podem ter letras que não se comparam.
Etiqueta antiga e etiqueta nova lado a lado
Resumo rápido: a letra da etiqueta nova não equivale à da antiga, o número que permite comparar é o consumo em kWh por mês e o estoque com a etiqueta anterior pode ser vendido até 31 de dezembro de 2026.
| Item | Etiqueta antiga (até 2025) | Etiqueta nova (desde janeiro de 2026) |
|---|---|---|
| Classes | Faixa com subclasses A+, A++ e A+++ | Somente A, B e C |
| Aparelhos pouco eficientes | Podiam aparecer em classes inferiores | Modelos que seriam D, E ou F deixam de ser permitidos |
| Método de teste | Norma brasileira anterior | IEC 62552-2:2020 e IEC 62552-3:2020 |
| Informações na etiqueta | Classe, consumo e volumes | Classe, consumo em kWh/mês, volume do refrigerador e do freezer, temperatura mínima |
| Venda no varejo | Permitida até 31 de dezembro de 2026 para aparelhos fabricados até 2025 | Obrigatória para a produção de 2026 em diante |
A própria Electrolux avisa em seu site que a norma antiga e a nova não são diretamente comparáveis: um produto C no método novo não é necessariamente menos eficiente que um A no antigo. Em alguns modelos, até a litragem informada mudou com a nova metodologia, sem que o aparelho tenha sido alterado.
Quanto pesa na conta de luz: um exemplo em reais
Para comparar duas geladeiras de etiquetas diferentes, ignore a letra e olhe o consumo mensal em kWh, que aparece em destaque nas duas versões. Depois multiplique pela tarifa da sua distribuidora.

Com uma tarifa ilustrativa de R$ 0,90 por kWh, já com impostos:
| Consumo informado | Custo por mês | Custo em 10 anos |
|---|---|---|
| 30 kWh/mês | R$ 27,00 | R$ 3.240 |
| 40 kWh/mês | R$ 36,00 | R$ 4.320 |
| 55 kWh/mês | R$ 49,50 | R$ 5.940 |
Uma diferença de 25 kWh por mês entre dois modelos pode representar mais de R$ 2.500 ao longo da vida útil do aparelho. Em muitos casos, isso supera o desconto oferecido na Black Friday. A conta muda conforme a bandeira tarifária, que em novembro está verde, como mostramos no texto sobre a bandeira verde de novembro.
Quem escapa da mudança: o estoque fabricado até 2025
Geladeiras produzidas até 31 de dezembro de 2025 podem continuar à venda com a etiqueta antiga até o fim de 2026. É justamente esse estoque que tende a aparecer em promoção agressiva, porque o lojista precisa escoá-lo antes do prazo.
Comprar um modelo com etiqueta antiga é mau negócio?
Não necessariamente. O aparelho é o mesmo, só foi medido por outro método. O que importa é comparar o consumo em kWh com o de modelos equivalentes e verificar se o preço compensa. Desconfie apenas de modelos antigos com consumo alto e desconto pequeno.
A regra vale para freezer e ar-condicionado?
A Electrolux informa que a nova classificação de 2026 alcança também freezers e aparelhos de ar-condicionado. Para esses, os critérios específicos dependem da regulamentação de cada categoria.
Na loja, compare pelo kWh e pelo frete
Antes de fechar a compra, anote o consumo mensal dos modelos que interessam e some ao preço o valor do frete e da instalação. Uma geladeira mais barata pode sair cara se o frete for alto ou se gastar 15 kWh a mais por mês. Explicamos essa conta completa no texto sobre como comparar preço de eletrodoméstico com frete.




