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Tratamento de cálculo renal a laser: como funciona a tecnologia?

Por Eletropédia6 min de leitura
Instrumentos cirúrgicos sobre campo azul em sala de cirurgia

Cerca de uma em cada dez pessoas terá cálculo renal em algum momento da vida, e metade delas volta a ter em poucos anos. Para quem precisa de cirurgia, a pedra raramente é retirada inteira: ela é quebrada em pedaços menores ou reduzida a pó, e o equipamento que faz isso decide boa parte do resultado.

Na maioria das cirurgias endoscópicas de cálculo hoje, a energia usada é o laser, levado até a pedra por uma fibra óptica fina que passa por dentro de um ureteroscópio. Laser de hólmio e laser de túlio em fibra são os dois sistemas mais comuns, e ondas de choque externas (LECO) são a principal alternativa sem endoscopia.

 

Pedras não são todas iguais, e o equipamento sente a diferença

Cerca de 85% dos cálculos têm cálcio na composição, em geral como oxalato de cálcio. Mas há pedras de ácido úrico, de fosfato e, mais raramente, de cistina. Cada uma tem dureza diferente, e a dureza muda a resposta à energia aplicada.

Uma tomografia sem contraste mede a densidade da pedra em unidades Hounsfield. Valores altos sugerem cálculo duro, que tende a responder mal às ondas de choque externas e melhor à fragmentação por laser em contato direto.

Por isso o mesmo tamanho de pedra pode receber indicações diferentes em pacientes diferentes. A tomografia, além de localizar o cálculo, ajuda a prever qual tecnologia vai funcionar.

 

O conjunto de aparelhos numa ureterorrenolitotripsia

A cirurgia tem um nome comprido, mas descreve exatamente o que faz: chegar ao ureter e ao rim (uretero e renal) e quebrar a pedra (litotripsia). Para isso, a sala cirúrgica reúne:

  • ureteroscópio, um tubo fino, rígido ou flexível, com câmera na ponta, que entra pela uretra sem cortes na pele;
  • fonte de luz e processador de vídeo, que mostram a imagem num monitor;
  • gerador de laser, o equipamento que produz os pulsos de energia;
  • fibra óptica, com diâmetro de algumas centenas de micrômetros, que conduz o laser até a pedra;
  • bomba de irrigação, que mantém o campo limpo com soro;
  • cestas e pinças de nitinol, para retirar os fragmentos maiores.

Quase sempre o procedimento termina com um cateter duplo J, uma sonda interna entre rim e bexiga, retirado dias depois.

Médica analisando imagens de ultrassom em aparelho de diagnóstico
Exames de imagem definem tamanho, posição e densidade do cálculo antes da escolha da técnica. Foto: Mart Production / Pexels

 

Hólmio, túlio ou ondas de choque: a comparação que decide

CritérioLaser de hólmio (Ho:YAG)Laser de túlio em fibra (TFL)LECO (ondas de choque)
Como a energia chegaFibra óptica dentro do ureteroscópioFibra óptica dentro do ureteroscópioGerador externo, através da pele
AnestesiaGeral ou raquidianaGeral ou raquidianaSedação, em geral
Pedras muito durasFunciona bemFunciona bemDesempenho cai
Pó fino (dusting)Possível, depende do geradorPonto forteNão se aplica
Fragmentos residuaisVisíveis e removíveis na horaVisíveis e removíveis na horaEliminados na urina nos dias seguintes
Histórico de usoPadrão há décadasTecnologia mais recenteA mais antiga das três

Não existe vencedor universal. A escolha depende do tamanho, da dureza e da posição do cálculo, da anatomia do paciente e do equipamento disponível no hospital.

 

Por que a água é a chave do laser

O laser de hólmio emite num comprimento de onda de cerca de 2.100 nanômetros, que é fortemente absorvido pela água. Isso parece um problema dentro de um rim cheio de urina e soro, mas é justamente a vantagem.

Ao sair da fibra, o pulso aquece instantaneamente uma camada mínima de líquido e forma uma bolha de vapor. É essa bolha que transmite a energia à pedra, e a penetração no tecido em volta fica em fração de milímetro. Resultado: energia suficiente para fragmentar mineral duro, com baixo risco de lesar a parede do ureter quando a fibra é bem posicionada.

Close de cabeçote de laser de alta precisão sobre superfície texturizada
Lasers industriais e médicos compartilham a física do pulso controlado, mas os médicos operam por fibra e dentro de líquido. Foto: Opt Lasers / Pexels

 

O mesmo princípio de absorção seletiva explica outros usos do laser em saúde, como mostra o texto sobre a ciência dentro de aparelhos estéticos.

 

Os três ajustes que o cirurgião controla no gerador

O gerador de laser não tem um botão de “potência” simples. A fragmentação de cálculos renais é ajustada combinando:

  1. Energia por pulso: valores altos quebram a pedra em fragmentos maiores, que depois são retirados com cesta.
  2. Frequência: muitos pulsos de baixa energia por segundo transformam o cálculo em pó, que sai com a urina.
  3. Largura do pulso: pulsos longos reduzem o “empurrão” que joga a pedra para longe da fibra, o efeito chamado retropulsão.

Fragmentar ou pulverizar é uma decisão técnica com consequências. Fragmentar e retirar deixa o rim mais limpo na hora, mas leva mais tempo. Pulverizar é mais rápido, mas confia que o pó será eliminado. Bons serviços usam as duas estratégias conforme o caso.

 

Quando o equipamento não é o fator decisivo

Pedras pequenas, de até uns 5 milímetros, muitas vezes saem sozinhas com hidratação e medicação. Nesses casos, a melhor tecnologia é a paciência acompanhada. A cirurgia entra quando a pedra é maior, não progride, causa obstrução persistente ou vem acompanhada de infecção.

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde tem uma página de orientação sobre cálculo renal com sintomas e prevenção.

No consultório de Leonardo Borges, no Hospital Israelita Albert Einstein, a análise do cálculo faz parte da conversa sobre prevenção. A análise química da pedra retirada é uma peça subestimada. Saber se a pedra é de oxalato de cálcio, ácido úrico ou outro mineral orienta a prevenção, e é isso que reduz a chance de voltar.

 

Ureteroscopia a laser na prática do consultório

O tratamento de cálculo renal a laser por via endoscópica é hoje uma das técnicas mais usadas para pedras no ureter e no rim. O Dr. Leonardo Borges, que trata cálculos renais por via endoscópica, inclui a ureterolitotripsia a laser entre as opções que apresenta aos pacientes, ao lado da litotripsia extracorpórea e de outras abordagens.

Como tratamento minimamente invasivo de cálculos, a ureteroscopia não deixa cicatriz e costuma permitir alta no mesmo dia ou no dia seguinte. A cirurgia endoscópica para pedra nos rins exige, porém, experiência com o ureteroscópio flexível, porque o acesso ao interior do rim tem curvas que pedem manobra fina.

Leonardo Borges acumula experiência em procedimentos urológicos minimamente invasivos, área em que o domínio do instrumental conta tanto quanto o gerador escolhido.

 

A recomendação para quem vai operar

Pergunte qual laser o hospital usa e se o cirurgião pretende fragmentar e retirar ou pulverizar, e por quê. Pergunte também se a pedra será enviada para análise. Um urologista especialista em cálculo renal responde as três perguntas em poucos minutos, e as respostas dizem muito sobre o cuidado com o seu caso.

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